Carta enviada ao BNDES referente ao Programa GARAGEM

Prezados Senhores,

Como presidente da ANCEV – Associação Nacional de Coworking e Escritorios Virtuais, participo de vários grupos relacionados ao empreendedorismo, startups e inovação, assim como frequento, sempre que posso, os eventos voltados ao mercado da Economia Colaborativa.
Como uma entidade que fomenta o segmento de Escritórios Compartilhados (Business Centers, Escritórios Virtuais e Coworking), também promovermos nossos próprios eventos anualmente.

Nesta data, recebi um informe de um de nossos parceiros, nos dando conta de sua seleção como participante do programa BNDES GARAGEM.
Ficamos muito felizes com o fato, porém ao acessar o site do programa e lendo os benefícios do mesmo, (https://bndesgaragem.com.br/#beneficios) nos demos conta de que dentre os vários benefícios um deles,  se trada de conceder a estes participantes um Escritório Completo, como se pode ler na intitulação abaixo:

“Escritório equipado, no WeWork Carioca, com oportunidades de contato com empreendedores, potenciais parceiros e grandes players do mercado.

Vimos também que em outro site também do BNDES intitulado : BNDES Garagem – Chamada para Gestor do Centro de Inovação, (https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/onde-atuamos/inovacao/bndes-garagem-centro-de-inovacao), que o mesmo contém detalhes do programa que está dividido em varias etapas, das quais são definidas por datas, onde a divulgação de propostas selecionadas, de uma suposta licitação, ocorreu em 01.03.2019 e a divulgação dos três primeiros classificados só ocorrerá em 12.04.2019.

Na continuação há o campo de: Propostas selecionadas para a segunda fase, onde se podem ler os nomes dos escritórios: CO.W. Coworking Space, São Carlos e KnotelGrow+, The Brain Coworking, EPS Engenharia, projetos e serviços, Hub Rio e Pier Mauá, Nós Innovators, Regus e WeWork.

Fico aqui me perguntando e até inconformado ao ver que uma instituição tão séria como o BNDES e tão necessária ao desenvolvimento empresarial do Brasil, incluindo-se as pequenas empresas, startups e outras da ala de inovação, pode em um site informar que o processo está ainda em andamento, e no outro site estar informando que as empesas escolhidas terão o escritório completo de um PLAYER do coworking, na WeWork.

Se por um lado vemos que se o processo ainda não ter se concluído, como é que no outro site já anunciam que a WeWork será o grande fornecedor  deste programa, a informação é incoerente por si só.

Do outro lado temos duas outras questões:
A primeira de se constituir um edital desta envergadura, e o mesmo ser de alguma forma velado, pois de muitos dos escritórios que pude consultar, nenhum deles tinha conhecimento deste edital ou mesmo do programa, e a nós como a única Associação Nacional que congrega o setor de Escritórios Compartilhados no país, não foi consultada a respeito, sendo que temos o conhecimento do mercado como um todo.
E é claro que os espaços que aqui estão citados, não levaram esta informação a público, visto que cada um deva ter tratado o fato como estratégia comercial diante da concorrência.

A segunda questão é a de, caso seja mesmo escolhida a WeWork como a empresa a fornecer a infraestrutura do escritório completo como anunciado, o BNDES dar prioridade em escolher uma empresa estrangeira, que vem para os mercados Latino Americanos, impulsionada por grandes investidores Norte Americanos, e que, há dois anos pratica uma espécie de DUMPING no mercado de Coworking, matando a iniciativa de muitos e muitos empreendedores do Brasil que com escassos recursos próprios, pois não possuem apoio do BNDES que é sustentado pelos impostos que nós brasileiros pagamos, e mesmo assim apostam no sucesso de segmento, mas que diante de tamanha diferença de recursos, tendem a sucumbir pela concorrência desleal em que são afrontados.

Apenas lembrando aqui que os gestores dos Coworking brasileiros, também são empreendedores e startups, e que o simples fato de não serem considerados em um projeto desta envergadura, transforma o projeto em um grande paradoxo.

Por outro lado, se esta escolha se deu pelo tamanho da infraestrutura, do gigante americano, lembramos que no Brasil e mesmo no Rio de Janeiro, temos vários players do mercado de Coworking que possuem infraestrutura semelhantes a da estrangeira.

Gostaríamos aqui, deixar registrado que o mínimo que podemos receber da instituição BNDES, será uma justificativa plausível do porque não merecemos esta confiança, sendo que somos nós brasileiros que damos a sustentação com o pagamento de impostos estratosféricos, para que a instituição de cunho governamental BNDES tenha recursos para a promoção de financiamentos e criação de programas como o que aqui vemos, mas que quando vamos a uma agencia tentar um financiamento, simplesmente estes recursos financeiros são negados, ou se prometidos, vem somados a tantas exigências e burocracias que se torna impossível de se chegar ao fim de um projeto.
(OBS: Coloco aqui como um empresário que no passado, há 10 anos atrás consegui atender a um projeto de boa envergadura e mais recentemente há uns 4 anos, quando tinha muito mais condições de atender a estas exigências o empréstimos nos foi simplesmente negado).

Fico no aguardo de um posicionamento dos senhores para que possamos informar a vossa resposta a nossa comunidade Brasileira de Escritórios compartilhados.

Atenciosamente,

Ernisio Martines Dias
ANCEV – Associação Nacional de Coworking e Escritórios Virtuais
E-mail: presidente@ancev.org.br
Site: www.ancev.org.br
Fone:0115087-8500

Leia Também

Empresas dão adeus ao escritório tradicional

Leia mais

Primera cumbre latinoamericana de coworkings

Leia mais

Comentários